Alguns só pensam em lascívia e em desejos.

Eu penso em sorrisos e em gracejos.

E curto vestido. Esquisito?


Ele faria da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro.

Estou lendo um livro que é uma delícia. O encontro Marcado, de Fernando Sabino. Eu já havia falado aqui no blog, que a ironia move o mundo. Bom, se não move, pelo menos devemos aceitar de que na vida é necessária muita ironia. Pelas palavras de Fernando Sabino:

- Olha aqui, tem uma formiga no arroz.

- Por este preço o que é que o senhor queria?

Em todo caso, gostou de ser chamado de senhor pelo garçom, um japonês, gostou da ironia do japonês. Por aquele preço, era lógico, era justo, não podia querer que tivesse outra coisa no arroz, senão formigas. Riu sozinho, concluiu que na vida é preciso ter ironia.

Uma colombina citou este livro em seu blog, e eu o encontrei por ironia da vida neste sábado, na feira da praça XV. Aliás, a praça XV é um dos lugares mais mágicos do Rio de Janeiro. Adoro aquela profusão de gente andando pra lá e pra cá, aquela feirinha de coisas antigas e aquela de coisas novas, legais e baratas. Por sinal o meu mais novo livro velho custou cinco reais, e tem um amassado na contra capa. Talvez isso ainda seja mais mágico. Eu certamente não poderia tê-lo comprado, se estivesse numa vitrine de loja…protegido  do outro lado de um vidro que impede minhas digitais… e por um preço que eu não poderia ter tirado do bolso… amo o conhecimento pelo conhecimento. A (des)pre-tensão de ter algo em suas mãos, a seu alcance… por uma coincidência adorável. Quantas pessoas devem ter se deliciado com as palavras de Sabino que agora estão em minhas mãos e minha mente. Agora só falta escrever meu nome nele, em letra caligáfrica de quem está aprendendo a ler, como boa e ávida aprendiz que sou.

A propósito, me lembrem de fotografar a praça XV um dia. Ontem me arrependi de não estar com uma câmera em mãos…


tumblr_ksibbbSH8y1qzyu5to1_500

Porque com uma imagem uma pessoa conseguiu falar tudo sobre a objetificação do ser feminino, enquanto eu fico divagando e escrevendo e reclamando…e as pessoas têm receio do quanto eu posso reclamar… todas elas… então… apenas observem o desenho… mais uma imagem tirada de um dos meus sites favoritos, podem ir pra lá clicando na imagem ou aqui .


Então mais uma vez perdida. Não é questão de ser, é de estar… Porque em cada momento em que se está, você é. E o que você é e o que você quer ser, está diretamente ligado ao que você está. Ao como, onde e o por que. A todas as curvas e a todos os pontos… Porque até os pontos fazem parte da curva. Os pontos finais fazem parte da frase, e o vazio dos parágrafos traz coesão aos textos. Inclusive aos textos vazios, como este.

De uma pessoa vazia.

Agora.

E só agora.

 

Você nem olhou pras coisas que admiro.


Então que eu deveria escrever. Sentar e escrever. Então que me perguntaram essa semana o que eu conto de novo. E aí eu penso: tudo novo de novo.

O que era antes já não é mais…o que não era passou a ser.

E o susto e a delícia de estar passando pela vida…

E descobrir que no fundo dos poços existem portas e existem molas… E existem poços onde você vai caindo, caindo, e se perde… Mas o que você não sabia era que se perder era bom.

A vida vai traçando surpresas e destinos pra gente…Um destino diferente pra cada segundo respirado… Os futuros morrem e surgem a todo momento, enquanto no seu turbilhão de pensamentos e percepções você se perde e se encontra.

E quando se cai naquele abismo sem futuro certo, se encontra perdido… você se desespera e sorri. Porque mares revoltos te afogam e te salvam. E você pensando que estava num rio… porque a vida adora enganar a gente. O que a gente tem que aprender a fazer é brincar com ela. Brincar é coisa séria. Saber que ela apronta com a gente… como uma criança… ela está aí rindo de você, brincando de pique-esconde, e você enxerga nela tudo que você é, ou pensa que é, ou gostaria de ser… é um pedacinho lindo de luz e futuro. Vida é linda palavra pequena… curta… e a gente tem que cuidar dela e rir… senão ela fica amarga… que nem aquela cerveja que desce entre uma prova de sistemas e o resultado… eu não gosto de cerveja… mas gosto de companhia…

Eu gosto de gente. Nossa, como eu gosto de gente. Tem gente que prefere os bichinhos a outra gente. Eu gosto de gente e de bicho, cada um tem seu encanto… Tem gente que é divertida, tem gente que tem opinião e tem gente que não é nada e você gosta dela mesmo assim.

E tem gente que sorri um mundo pra você e você olha e se apaixona. E lá vem um outro abismo, um novo inconstante futuro.  As borboletas na barriga e o cinema com sorvete.

E quem não se surpreende? Porque a vida gosta de fazer isso com a gente né? E a gente gosta da vida.


Você se movia como mel

no sonho que tive noite passada

sim, algumas velhas fogueiras estavam acesas

você se aproximou de mim

e você pareceu carinhoso para mim

mas você não conseguia me discernir muito bem

isso te assusta? deixarei você fugir

mas seu coração não irá te obrigar

você se lembrará de mim como a uma melodia

sim, assombrarei o mundo dentro de você

e meu grande segredo; irei ganhar você

devagar como mel, pesado de intenções

eu deixarei você me ver

eu desejarei seu respeito

eu invadirei seu comportamento

e você consentirá para mim como a um aroma na briza

e você se questionará o que há sobre mim

é meu grande segredo; mantê-lo vindo

devagar como mel, pesado de intenções

embora sonhos possam ser enganadores

como faces são para corações

eles servem como um alívio doce

quando a fantasia e a realidade estão longe demais uma da outra

então me estico sobre você como uma ponte

e eu arrasto você até a ponta

e eu fico lá esperando, tentando obter

o fim para satisfazer a história

devo libertá-lo?

preciso libertá-lo?

enquanto ascendo para encontrar minha glória

mas meu grande segredo – vou pairar sobre sua vida

vou mantê-lo ao meu alcance

quando eu me for como ontem

quando estou alta como paraíso

quando estou forte como música

pois eu sou devagar como mel, mas pesada de intenções

Fiona Apple


.

.

.

Liberdade é palavra

que o sonho humano alimenta.

Não há ninguém que explique

e ninguém que não entenda.

Cecília Meirelles

.

.

.

sexisnottheenemy


O amor é filme
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica
Da felicidade, da dúvida, dor de barriga
É drama, aventura, mentira, comédia romântica

O amor é filme
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica
Da felicidade, da dúvida, dor de barriga
É drama, aventura, mentira, comédia romântica

Um belo dia a a gente acorda e hum…
Um filme passou por a gente e parece que já se anunciou o episódio dois
É quando a gente sente o amor se abuletar na gente tudo acabou bem,
Agora o que vem depois

O amor é filme
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica
Da felicidade, da dúvida, dor de barriga
É drama, aventura, mentira, comédia romântica

É quando as emoções viram luz, e sombras e sons, movimentos
E o mundo todo vira nós dois,
Dois corações bandidos
Enquanto uma canção de amor persegue o sentimento
O Zoom in dá ré e sobem os créditos

O amor é filme e Deus espectador!

“- A gente devia ser como o pessoal do filme, poder cortar as partes chatas da vida, poder evitar os acontecimentos!
Num é?!?!”


Às vezes a gente quer escrever. A gente senta, olha pro papel. E o papel ali, te olhando, fixamente. Existe aquela expressão, deu branco. Imagino que seja isso. Esse diálogo intenso e inexistente entre você e o papel. Aquele sentir sem expressar, o lápis traidor sem traduzir os pensamentos.


Quem vai poder entender
Meu mundo de duplo sentido?
Qual desses homens sou eu…
refletido no espelho partido?