Porque amor, é passar por tudo que poderia e não poderia, e ainda ter aquilo dentro do peito. Quando o sentimento sobra e faltam as palavras. Quando o encanto é comum e a dor é a mais forte. Quando você dá tudo mesmo sem receber nada. E quando você aprende que você pode tentar fazer o que for, e aquilo permanece ali. E você morre de raiva, no melhor estilo “10 things I hate about you”, mas sem o final feliz. Porque a vida não é uma comédia romântica, por mais que tenha seus momentos.
Sobre o futuro.
Vou ali ver um filme, e virar artista.
O filme vai ser agora, o virar artista, um dia.
Assim que eu me livrar de Saturno.
Sobre as batalhas da vida
Bom, já tentei deixar de fazer isso algumas vezes, mas não consigo: fim de ano pra mim é época de reflexão e renovação. E ponto. E este ano foi realmente um ano de mudanças, principalmente mudanças internas. Descobri que a vida “adulta” é muito difícil e cheia de obstáculos. Não sei se é azar ou sorte, mas Saturno rege minha vida e terei que conviver com isso. E também não pode ser por acaso que justamente ao completar 21 anos tenham aparecido tantos problemas na minha vida. Estou tentando enfrentar cada um deles, lembrando que preciso estar forte e preparada, pois a medida que a gente “cresce” aparecem mais responsabilidades e mais decisões cujas escolhas cabem exclusivamente a si.
Aprendi que não se deixa de amar com a mesma facilidade com que nos apaixonamos. Aliás, descobri que não sou capaz de deixar de amar. Mas sou feliz por ter essa incapacidade. Mas as pessoas nos decepcionam todo o tempo e não devemos nos permitir sentir mais dor do que aquela que cabe a situação. Aprendi que é difícil se perdoar, e perdoar o outro. E que existe um motivo para a cabeça estar acima do coração. E também para que ambos estejam acima do sexo.
Descobri que sou capaz de fazer coisas que nunca pensei e que minhas atitudes perante o mundo me surpreendem. Tive ainda mais motivos para ter certeza que os amigos são essenciais, e que a nossa família foi feita na medida pra gente, por mais que as vezes não pareça.
Percebi que nunca seria feliz se não cumprisse minha função social. Porque eu sei que faço parte do mundo e tenho minha responsabilidade sobre ele.
E descobri que hoje eu gosto mais de mim do que no ano passado. E essa foi uma descoberta muito especial.
Ainda sobre as contas de porcelana.
Sobre as contas de porcelana…
Mas
E eu achei que a Lua não brilhasse
Sobre os mortos, no campo da guerrilha.
Sobre a relva que encobre a armadilha
Ou sobe o esconderijo da quadrilha,
Mas brilha.
E achei que nenhum pássaro cantasse,
Se um lavrador não mas colhe o que planta.
Se uma família vai dormir sem janta
Com um soluço na garganta.
Mas canta.
Também pensei que a chuva não regasse
A folha cujo leite queima e cega
A carnívora flor que o inseto pega
Ou o espinho oculto na macega
Mas rega.
Pensei também que o orvalho não beijasse
A venenosa cobra que rasteja
No silêncio da noite sertaneja
Sobre as ruínas da esquecida igreja.
Mas beija.
Imaginei que a água não lavasse
O chicote que em sangue se deprava,
Quando de forma monstruosa e brava
Abre trilhas de dor na pele escrava,
Mas lava.
Apostei que nenhuma borboleta
- por ser vivo exemplo de esperança-
Dançaria contente, leve e mansa
Sobre o túmulo em flor de uma criança,
Mas dança.
Por isso achei que eu não mais fizesse
Poema algum depois de tanto embaraço,
Tanta decepção, tanto cansaço,
E tanta espera, em vão, por teu abraço,
Mas faço.
Antônio Roberto Fernandes
Fui pra Brasília… encontrei pessoas maravilhosas… E descobri que ainda quero encher o mundo de cor. Apesar de tudo.
Porque eu precisava falar sobre ele…
Bem, fui assistir “O Palhaço”, no sábado. Eu não estava muito feliz, e resolvi ir ao cinema justamente para espairecer um pouco. Quem me conhece sabe da minha melancolia natural. Daí veio a minha surpresa. Eu queria porque queria assistir este filme e esperei por duas horas até a sessão disponível, que era meia-noite e quinze.
Ao mesmo tempo em que sou, na maior parte do tempo, melancólica e triste, eu tenho uma facilidade enorme de entrega quando algo me emociona. O Palhaço me surpreendeu tanto, porque não me lembro de ter assistido um filme tão lindo, com um roteiro tão envolvente, com humor ingênuo e eficiente e um drama pessoal que é pesado mas traz leveza. E identificação.
Nós viajamos entre as atrações circenses, as cores “de almodovar”, a trilha sonora impecável. E torcemos para aquele personagem se encontrar, enquanto esquecemos por um momento o quanto estamos perdidos. Realmente, um filme de esperança. Como a trupe.





